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DIÁRIO DE GUERRA: O underground nasceu por acaso?

A curiosa origem do som que ninguém queria ouvir

DIÁRIO DE GUERRA: O underground nasceu por acaso?
DIÁRIO DE GUERRA: O underground nasceu por acaso? (Foto: Reprodução)

Antes de virar identidade, o underground foi rejeição.

Nos anos 60 e 70, gravadoras tinham uma regra simples: música precisava ser vendável, previsível e fácil de digerir. Tudo o que fugisse disso era considerado ruído. Curiosamente, foi exatamente nesse “lixo sonoro” que surgiu um dos movimentos mais influentes da história da música.

Bandas que tocavam alto demais, letras políticas demais, visuais estranhos demais ou atitude rebelde demais simplesmente não encontravam espaço nos grandes estúdios. A solução foi óbvia: tocar em porões, garagens, galpões abandonados e qualquer lugar onde ninguém estivesse olhando.

Daí o nome: underground.

Literalmente fora da superfície cultural.

O curioso é que muitos desses artistas não tinham intenção de criar um movimento. Eles só queriam tocar do jeito que as gravadoras proibiam. Punk, metal extremo, hardcore, industrial e até vertentes do hip hop nasceram assim — não como estratégia, mas como exclusão.

Enquanto a indústria dizia “isso não vende”, o público dizia “isso é real”.

Com o tempo, o underground virou sinônimo de autenticidade. Não por ser melhor, mas por não pedir permissão. E ironicamente, muitos dos sons rejeitados acabaram absorvidos pela própria indústria que tentou enterrá-los.

Talvez o underground não tenha surgido por rebeldia consciente.

Talvez tenha surgido porque alguém decidiu continuar tocando… mesmo quando disseram que não devia.

Nada suspeito.

Só mais um movimento cultural criado à força por quem ficou de fora.


DIÁRIO DE GUERRA
Por: Fábio Alfini - War Rock Wear

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