BANDAS QUE MERECEM O MUNDO: YNYS WYDRYN — Ecos de uma humanidade em ruínas
Há bandas que fazem barulho. Há bandas que fazem peso. E há aquelas que abrem fendas.
Direto de Salvador, a Ynys Wydryn não apenas executa death metal — ela constrói um território. Um lugar onde a brutalidade não é gratuita, mas necessária. Onde cada riff parece esculpido em pedra antiga, e cada atmosfera carrega o peso de algo que sempre esteve ali… esperando para ser revelado.
O nome já entrega o caminho.
Ynys Wydryn — uma referência envolta em névoa, ecoando mitos celtas e a ideia de Avalon, a ilha entre mundos. Um ponto de travessia. Nem vida, nem morte. Nem luz, nem escuridão. E é exatamente nesse espaço intermediário que a banda existe.
Seu trabalho de estreia, “Malevolent Creation”, não é apenas um álbum. É um mergulho. Um convite — ou talvez um aviso.
As composições caminham por territórios densos, onde o death metal encontra elementos sinfônicos e texturas atmosféricas que expandem o som para além do impacto imediato. Aqui, o peso não vem só da distorção, mas da intenção.
Há algo de profundamente humano — e ao mesmo tempo perturbador — nas estruturas que a Ynys Wydryn constrói. As músicas não apontam para monstros externos. Elas voltam o olhar para dentro.
Para aquilo que evitamos nomear.
A maldade, o caos, a dúvida, a fragilidade da moral… tudo isso aparece não como discurso, mas como experiência. Como um espelho que não pede permissão antes de refletir.
E talvez seja esse o diferencial.
Enquanto muitos buscam velocidade ou agressividade como fim, a Ynys Wydryn utiliza esses elementos como linguagem. Como ferramenta. O resultado é um som que não apenas atinge — ele permanece. Ecoa. Corrói lentamente.
A origem do projeto, inicialmente centrado em uma visão mais individual, evoluiu para uma formação sólida, trazendo ainda mais camadas à construção sonora. E isso se sente. Há uma organicidade na forma como as músicas respiram, crescem e se transformam.
Não é apenas técnica. É intenção coletiva.
Inserida na já rica e pulsante cena baiana, a banda carrega consigo uma identidade que foge do óbvio. Não há concessões fáceis. Não há atalhos. O caminho escolhido é mais denso, mais exigente — e, justamente por isso, mais recompensador.
Ouvir Ynys Wydryn é como atravessar um corredor de pedra, iluminado por tochas instáveis. A cada passo, algo se revela. E, quando você percebe, já não está mais no mesmo lugar de antes.
Nem por fora.
Nem por dentro.
No projeto “Bandas que Merecem o Mundo”, a Ynys Wydryn surge não apenas como uma recomendação, mas como uma experiência a ser vivida.
Porque algumas bandas não querem apenas ser ouvidas.
Elas querem ser compreendidas.
E, talvez… temidas.
Prepare-se.
O portal está aberto.
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(EDDIE BLAZE): Das profundezas de Salvador surge uma sonoridade que mistura brutalidade, atmosfera e reflexão. A Ynys Wydryn constrói mais do que músicas — cria paisagens sonoras onde a natureza humana é dissecada sem anestesia.
Nesta edição do “Bandas que Merecem o Mundo”, mergulhamos no universo da banda para entender as origens, os conceitos e a força por trás de um som que ecoa muito além das fronteiras.
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1. O nome Ynys Wydryn carrega uma forte referência mítica. O que ele representa para a banda e como se conecta com a identidade sonora e lírica de vocês?
Fala galera da Metal World Web Radio, tudo beleza? O nome originalmente vem de um livro de Bernard Cornwell, as crônicas saxônicas. É o nome correto que depois foi chamado de forma mais mítica de Avalon. Este é o nome do lugar real, que fica na Inglaterra. A ideia de usar o nome veio do fato de sempre trazermos uma mistura de literatura, realidade e fantasia épica ou quadrinhos mesmo. E este é um nome que meio que abarca tudo isso.
2. O álbum “Malevolent Creation” apresenta uma abordagem intensa sobre a natureza humana e seus aspectos mais sombrios. Como surgiu o conceito por trás desse trabalho?
Bem, as letras da Ynys sempre trazem coisas que nos marcam/marcaram ou temas que nos são relevantes. O conceito todo vem da dualidade do ser humano e da maldade inerente em nós. Daí eu abro para várias abordagens sobre o tema. Nesta abertura vem diversos autores, personagens e histórias para embasar, além de fatos reais. Cries Unheard fala sobre crianças reais que foram presas por assassinato, já Tyrannos sobre tirania e aí vem os conceitos de Sauron/Thanos junto com Hittler e outros tiranos e sua ideia de estar fazendo um “mundo melhor”. Eles só não avisam que é melhor pra eles. Kkkkkk E por aí vai. Tem análise de psicólogos, Sandman, Thanos, Tolkien, e mais uma infinidade de coisas que me ajudam a escrever e compõem a parte lírica da banda.
3. As composições de vocês equilibram peso extremo com elementos atmosféricos e quase cinematográficos. Como funciona o processo de criação dentro da banda?
A composição sempre nasce da guitarra aqui na Ynys. Para o Malevolent Creation foi muito eu e Marcos, um amp, uma guitarra e muitas ideias sendo organizadas. Sempre que componho eu já penso nas vozes, e elas moldam muito os riffs. Depois trazemos os demais elementos para a música. Essa dualidade de brutal e melódico é essencial para mim, e isso reflete no som da banda. Para o álbum novo, o Absorbing the Existence, já foi bem diferente. Eu e Victor (Mattos), literalmente saímos compondo tudo que tínhamos na cabeça e depois fomos lapidando e escolhendo juntos tudo que iria ficar no álbum ou não. Só uma música já estava mais pronta, que é a música título do CD. No primeiro álbum tudo ficou muito centrado em mim mesmo, neste novo álbum que estamos gravando, com a entrada de Victor, a gente divide muito tudo, as vezes ele toma a frente de mais coisas até. Outra coisa que mudou foi que não fui eu que pensei nas bateras, Marcio (Jordanne), que é um monstro das baterias, foi quem compôs tida a batera do álbum Isso me dá mais liberdade para trabalhar detalhes e outras coisas, além de cada um colocar sua identidade no som, o que pra mim é maravilhoso.
4. Existe uma influência mais direta do death metal europeu nessa construção sinfônica, ou essas referências vêm também de fora do metal, como trilhas sonoras e música clássica?
A ideia da Ynys surge de influências como Haggard, Cradle of Filth, Dimmu Borgir, etc... Quando eu fui gravar o Malevolent eu só me preocupei em soar bom aos meus ouvidos. Mas tem muita influência de Fleshgod Apocalypse, Aborted, The black Dahliah Murder, etc. Além disso eu ouço muita música clássica, adoro trilhas de filmes e música folk. Acho que são grandes influências no som da Ynys também. Inclusive no álbum novo estas influências clássicas serão mais gritantes.
5. As letras abordam temas densos como moralidade, caos e existência. Vocês enxergam a música como uma forma de reflexão filosófica?
Adorei a pergunta. Velho, eu sempre fui aficionado por entender o que cada banda, filme, livro ou quadrinho querem nos falar. Eu não entendo ouvir uma música e não saber o conceito do que se está ouvindo, o que o cara quer dizer com aquela letra, ou por que escolheu aquela abordagem musical, isso para mim é antagônico a ser headbanger. Acho que as letras são mais reflexões minhas comigo mesmo, e que, pessoas que tenham este mesmo comportamento vão tentar absorver algo do que eu estou falando. Mas sim, essa reflexão é mais minha comigo mesmo, meio que minha terapia compartilhada com os ouvintes da banda.
6. A cena metal da Bahia tem uma identidade muito própria. Como vocês veem o papel da Ynys Wydryn dentro desse cenário?
Modéstia a parte, a cena da Bahia é foda. Muita banda boa pra caralho ralando para ter seu lugar ao sol. Temos muito orgulho de nossos amigos e conterrâneos. A Ynys passou por muitas formações e muitos hiatos não programados. Mas acho que nosso papel dentro do cenário é incomodar. Kkkkk no bom sentido. A gente sai um pouco da zona de conforto de fazer o que dá e entra mais na zona do fazer a melhor coisa que podemos, até o limite. No final só esperamos fazer um material foda, sem dever nada a ninguém, e que a gente ache de fuder ouvir mesmo depois de 20 anos. Acho que é mais ou menos isso.
7. O projeto começou de forma mais centralizada e depois evoluiu para uma formação mais consolidada. Como essa mudança impactou o som e a dinâmica criativa da banda?
Para um caralho!!!! O álbum novo, Abosorbing the Existence, conserva os elementos da banda, mas traz a cara de Victor e Márcio. Acho que a banda ficou mais complexa, mais direta/brutal e mais clássica/melódica. Victor saca pra caralho de música, ele é o nosso maestro, e trouxe uma abordagem mais clássica sem perder a agressividade. Márcio é um animal não só na execução, mas na construção das linhas de bateria. Posso dizer que o CD novo é uma aula de batera extrema. Bem, quando lançarmos o álbum vocês dizem se as mudanças foram boas ou ruins. Hehehehehehehe Eu estou curtindo pra caralho como está ficando.
8. Em termos de sonoridade, o que vocês buscam transmitir primeiro: impacto, atmosfera ou mensagem?
Velho, difícil responder isso. Mas seria uma banda brutal, agressiva e melódica ao mesmo tempo. Extrair o pior e o melhor da carcaça do ouvinte. hehehehehehehe
9. Se pudessem descrever a Ynys Wydryn para alguém que nunca ouviu a banda, que imagem ou sensação gostariam de provocar?
Eu diria que é ser atropelado por um caminhão no meio de um concerto de música clássica.
10. Quais são os próximos passos da banda? Existe material novo sendo trabalhado?
Bem, estamos finalizando o CD novo, ele se chamará Absorbing the Existence e terá 9 faixas. Ele será lançado pela Ghost Writer Records no brasil e no mundo. Depois disso é começara. Fazer shows por aí a fora para divulgar o CD e levar o som para o máximo de lugares que pudermos.
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🔥 BATE-BOLA (respostas rápidas):
- Um álbum que influenciou a banda: Dimmu Borgir – Puritanical Euphoric Misantropia
- Uma banda essencial: Haggard
- Um tema que ainda querem explorar: a necessidade de controle da humanidade.
- Um show inesquecível: Behemoth no Waken
- Uma palavra que define Ynys Wydryn: Dualidade
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Para finalizar: deixem uma mensagem para os ouvintes da Metal World Web Radio e para todos que ainda vão descobrir o som de vocês ao redor do mundo.
Para todos os ouvintes da Metal World Web Radio, vocês são foda. Iniciativas como a da MWWR são essenciais para bandas de metal no brasil e no mundo. Total respeito, uma grande honra para nós estar aqui.
Para quem nunca nos ouviu, curta a página no instagram @ynyswydrynofficial e no Youtube, nos procurem em qualquer plataforma de streaming. Suporte não custa 1 real, mas para as bandas é essencial. Espero que curtam, e se divirtam ouvindo a gente.
Um grande abraço a todos.
Stay Metal Forever!!!
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Agradecemos imensamente pela atenção e pelo tempo. Será um prazer divulgar a música e a trajetória de vocês no “Bandas que Merecem o Mundo”!
Saudações metálicas,
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