ARARAS ROCK FEST
# Araras Rock Fest 2026: O Rock Continua Respirando
Estacionamento fácil, gratuito, boa estrutura e uma noite inteira dedicada ao rock autoral. O Araras Rock Fest, realizado ontem, mostrou mais uma vez que o velho discurso de que "o rock morreu" não passa de um mito repetido por quem não frequenta eventos como este.
Basta olhar para o público e para as bandas. A maioria dos músicos tem pouco mais de 20 anos, alguns nem chegaram aos 30. Jovens que cresceram ouvindo suas influências favoritas e decidiram criar algo próprio. Se inspiram nos clássicos, mas produzem música nova, autoral e cheia de personalidade. Ultrapassado não é o rock. Ultrapassada é a ideia de que ele ficou preso ao passado.
Uma observação interessante: senti falta de mais material de merchandising das bandas. Camisetas, adesivos, CDs, patches ou qualquer item oficial seriam uma excelente oportunidade para divulgação e também uma forma de ajudar financeiramente os grupos independentes. Em eventos assim, muita gente gosta de levar uma lembrança para casa.
Outra coisa que me faz rir é ouvir a geração mais nova chamando músicas dos anos 90 de "rock de pai". Nessas horas eu me sinto um verdadeiro ancião do metal. Hahaha!
A noite começou com a Black Tomorrow, que abriu os trabalhos com "The Fall of the Morning Star". A molecada impressiona. Fazem um Black Metal muito bem executado, mostrando influências claras de gigantes como Sepultura e Sarcófago, mas sem soar como uma simples cópia. O destaque é justamente a qualidade do material autoral. Para encerrar a apresentação, ainda brindaram o público com uma versão de "For Whom the Bell Tolls", do Metallica.
Na sequência veio a Seringe, trazendo uma atmosfera totalmente mergulhada no grunge e no rock alternativo. As influências de Nirvana e de Kurt Cobain aparecem naturalmente no som da banda, mas novamente o que chama atenção é a personalidade que conseguem imprimir às próprias músicas.
Depois foi a vez da Decadentes assumir o palco. Punk rock direto, sem enrolação e com muita energia. O repertório misturou clássicos do gênero e composições próprias de excelente qualidade. Daquelas apresentações que lembram por que o punk continua sendo uma das formas mais honestas de expressão dentro do rock.
Durante a noite, uma observação feita pelo meu primo ficou ecoando na cabeça. Comentando sobre o pouco interesse de algumas pessoas pela Metal World Web Radio, ele resumiu tudo em uma frase: "o sucesso não é para 100%". E é verdade. Somos uma rádio pequena, independente e ainda em crescimento. Mas toda grande iniciativa começou pequena um dia. O importante é continuar construindo, programa após programa, entrevista após entrevista, especial após especial.
Também percebi algo que acontece com frequência em muitos festivais independentes: amigos e familiares comparecem para prestigiar uma banda específica, mas vão embora logo após a apresentação. Com isso, os grupos que tocam mais tarde acabam recebendo menos apoio do público. É uma pena, porque todos os artistas que sobem ao palco merecem ser ouvidos. Muitas vezes a maior surpresa da noite está justamente naquela banda que você ainda não conhece.
Depois foi a vez da Decadentes assumir o palco. E que apresentação. Com um punk rock direto, energético e sem firulas, a banda mostrou que a essência do gênero continua tão viva quanto nas décadas passadas. Guitarras afiadas, letras marcantes e uma presença de palco que conquistou rapidamente quem estava acompanhando o festival.
O repertório transitou com naturalidade entre composições autorais e homenagens a nomes consagrados do punk rock, criando uma ponte entre diferentes gerações de ouvintes. O resultado foi uma apresentação intensa, daquelas que fazem o público cantar junto, bater cabeça e lembrar que o punk nunca foi apenas um estilo musical, mas também uma forma de expressão. Entre clássicos e músicas próprias, a Decadentes deixou sua marca como uma das grandes apresentações da noite.
E por falar em surpresa, o encerramento ficou por conta da Caipora. Talvez a banda mais insana da noite. E provavelmente por isso tenha ficado para fechar o festival. O grupo apresentou um material autoral simplesmente impressionante. Instrumental afiado, vocal poderoso e músicas que prenderam a atenção do público do começo ao fim. Para completar, ainda mandaram um cover de "Evil Dead", do Death, levantando quem ainda tinha energia guardada.
O Araras Rock Fest cumpriu exatamente aquilo que um festival independente deve fazer: dar espaço para novos artistas, fortalecer a cena local e provar que o rock continua vivo, produzindo novas bandas, novas músicas e novas histórias.
Quem esteve lá viu. Quem não esteve, perdeu uma grande noite de rock.
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